terça-feira, 24 de janeiro de 2012

FLORIANO: ARTISTA PLÁSTICO PRIMITIVISTA

FLORIANO E SUA FABULOSA USINA DE ARTE:  - Natural de Nazaré das Farinhas, 74 anos, Floriano dos Santos, mais conhecido como Seu Floriano, extrai do lixo a principal matéria-prima para suas criações.

Chegou a Alagoinhas aos 18 anos, trabalhava de pedreiro, e nas horas vagas pintava suas primeiras telas. Há quem o considere apenas um artesão, o que não é nenhum problema, mas, ao adentrar no mundo desse senhor negro, de feição serena e bem humorado, sempre de vestes simples, com seu inseparável chapéu, que muito provavelmente deve ter sido estilizado por ele mesmo, que largou o ofício de pedreiro para viver de arte, percebe-se que ali não é apenas um artesão e seu ato, mas uma usina de arte fabulosa! Em sua cidade natal, trabalhava na torrefação de café.

Veio para Alagoinhas, junto com seus irmãos, com perspectiva de trabalho, mas logo largou a construção civil e dedicou-se apenas a arte. Um simples pedaço de madeira, descartado no lixo ou nas ruas, pode virar desde um porta-chaves a brincos, chaveiros, colares ou ainda um brinquedinho bem engenhoso, feito de forma rústica, sem grandes acabamentos e com material simples, que imita o bicar dos passarinhos, como se estivessem alimentando-se, que me custou apenas três reais, encantou não só a mim, como ao meu filho de apenas 01 ano e seis meses.

Segundo Seu Floriano, o início de seu trabalho com arte aconteceu aqui em Alagoinhas. Quem o “descobriu” foi um artista plástico, filho da terra, Josilton Tonm, em sua antiga usina-casa, na Cavada. Produzia brinquedos de barro, trabalhos com madeira e papel. Sua arte não exige nenhum critério, tampouco dispõe de grandes instrumentos, e tudo que nós vemos ali em seu atelier, no Mercado do Artesão de Alagoinhas, é criação única, que não pretende quebrar nenhum conceito, muito menos seguir nenhuma grande escola de Belas Artes, é apenas fruto da sua intuição e vontade de arte.


Ele conta que ao se deparar com um objeto qualquer descartado, já o imagina transformado, chega à sua oficina, e logo vai dando forma ao que visualizou antes em sua mente. Nos seus mais de cinqüenta anos de ofício de artista, Floriano, já expôs seus trabalhos no Museu de Arte Moderna da Bahia (Salvador), na Casa Fundação Jorge Amado (Salvador), além de exposições locais como na antiga “feira do pau” e nas feiras de artes da cidade. Recentemente, foi convocado como suplente pelo edital de apoio a Artes Visuais, pela FUNCEB, para participar dos Salões Regionais de Artes Visuais da Bahia 2011, que foi realizado de 2 a 29 de dezembro, no Centro de Cultura de Alagoinhas (CCA).

( Texto de Isis Favilla, retirado do Caderno Cultural Expresso 18 ).

Nenhum comentário:

Postar um comentário