terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

MÁRCIA ALMEIDA - OS FAZERES DAS MULHERES DAS TRIBOS DOS TUPINAMBÁS


Em seu trabalho, Márcia Oliveira Almeida (Alagoinhas/ BA), que também assina suas obras com o nome artístico “Moa”, valoriza os fazeres das mulheres das tribos dos tupinambás, considerados primeiros habitantes da cidade de Alagoinhas. A artista revela a beleza das tradições dos tupinambás e o resgate do universo feminino das índias, por intermédio de recriações de extrema sensibilidade nas cerâmicas que produz. Kusiwa em tupi quer dizer “o caminho dos riscos”. No trabalho, ele é representado pelas linhas de algodão. Estas se ligam aos pontos de cerâmica. A partir daí, constrói-se uma estrutura de si mesmo, o self da mulher imaginária tupinambá. Ela fica presa em um círculo, ou seja, a um espaço colonizador que não permite a visibilidade dos seus fazeres.
A cerâmica artesanal deveria ser um dos encantos de Alagoinhas, pela sua diversidade e plasticidade; no entanto, e invisível este fazer. Há cinquenta anos, existiam no município cerca de trinta olarias, oficinas que produziam moringas, potes e louças que abasteciam as comunidades vizinhas. Famílias inteiras se dedicavam a esta rica atividade, a da cerâmica no torno, diferenciando-se das outras regiões por ser moldada a mão no estilo indígena, embora os designs das suas louças sejam no estilo tupinambá.


A artista Márcia Almeida vem desenvolvendo há oito anos com o seu olhar feminino, pesquisas na comunidade sobre o fazer local. A argila foi o primeiro elemento da sua paixão devido a sua alta resistência, beleza e plasticidade, material utilizado para a confecção de uma criativa linha de colares com contas de cerâmica feita à mão.
Após concluir os cursos de Licenciatura de Estudos Sociais na UNEB - Alagoinhas, e o de fotografia na Casa da Fotografia em Salvador, optou pela arte como meio de sentir a vida e, ao participar da I Mostra de Arte Popular no Shopping da Cidade, percebeu que o cognitivo da cultura  tupinambá é ainda ativo na sua gente, e passou a   utilizar as tramas indígenas no seu trabalho,   escolhendo a cerâmica como o elemento de  suporte à sua criação. Bastante atuante, participou   pela primeira vez, em 2001, na Galeria Café da  Casa 8, em Salvador, de uma exposição coletiva.

Nos anos seguintes, participou de mais seis exposições além dos salões de artes em várias cidades da Bahia. Em 2007, expõe novamente no Centro de Cultura de Alagoinhas, em 2008 é homenageada no Salão Regional de Artes Visuais de Alagoinhas, pelo conjunto de obras e pelas pesquisas realizadas. Em 2011 expõe no Salão Regional de Artes Visuais de Valença.
 Hoje, a cidade conta com uma artista que tem distribuído pelo mundo a sua terra vermelha com beleza e criatividade, e revela uma esperança cultural local: a de ver o resgate da cerâmica artesanal sendo produzidas em forma de objetos utilitários, panelas, moringas, pratos, travessas e etc. para enriquecer a identidade cultural e gerar oportunidade de inclusão social.



Fonte: Revista ACIA Divulga - setembro de 2010
Texto: Midian Bispo

2 comentários:

  1. Salve Querida Márcia que com a sua sensibilidade feminina está nos acolhendo na sua cidade!

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  2. Eu tenho colares feitos por Márcia Almeida e admiro muito o seu trabalho. Parabéns, amiga! Alagoinhas, a Bahia, o Brasil e o Mundo precisam conhecer a sua ARTE.

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